20 de set de 2007

Jornalismo também é sensibilidade

Li duas reportagens especiais publicadas no Diario de Pernambuco que chamaram a minha atenção. A matéria era sobre Manari, cidade pernambucana que possui o pior índice de desenvolvimento humano do Brasil, e tinham como título Manari e o milagre da maçã e Manari e os dias melhores. É inacreditável que seres humanos vivam em condições tão precárias como as relatadas. Alguns trechos são bem fortes, por exemplo quando uma senhora fala: "Aqui até o nada serve". Até o nada serve... Díficil imaginar como possa servir. Como pessoas podem se sentirem felizes até com o nada. Tantas vezes temos tudo e somos infelizes.

Quero, aqui, parabenizar o repórter Fred Figueroa pela bela reportagem e pela sensibilidade. Às veses, fico imaginando como os profissionais da comunicação reagem em situações feito estas. Será que apenas escrevem a matéria e ficam imunes ao sofrimento das pessoas? Fred Figueroa provou que jornalista também é humano e se compadece com sofrimento das pessoas. Jornalistas não são meros espelhos, como nos sugere a Teoria do Espelho Devemos ser imparciais, quanto a isso não tenho dúvidas, contudo não podemos fechar os olhos ao sofrimento do próximo. É fácil criticar quando uma matéria tem erros, mas nem sempre elogiamos aquelas bem escritas. Publico trechos das reportagens.

As reportagens de Fred Figueroa foram publicadas no Diario de Pernambuco (02 e 03/09/2007) e a foto de Juliana Leitão/D.P

"(...) Na estrada que leva do litoral ao Sertão de Pernambuco, incontáveis placas verdes anunciam cidades e distâncias em letras brancas. Manari não aparece em nenhuma delas. Talvez por esquecimento. Talvez por não ser um lugar para onde alguém pense em ir. Distante demais da capital e de qualquer outro pólo de desenvolvimento do interior. Não existem razões econômicas ou culturais que levem alguém até ali. Até aquela armação metálica vazia. Que funciona apenas como uma moldura enferrujada para um céu quase sempre azul. Que avisa a chegada a lugar nenhum."

"(...) Gildo é o motorista da equipe de reportagem do Diario que foi até Manari. Enquanto a mãe das sete crianças mostrava os quatro cômodos apertados, sujos e escuros da pequena casa em que eles vivem - na zona rural de Manari -, desviei os olhos para o lado de fora. Na sombra de um pinheiro infrutífero, Gildo estava cercado pelos meninos e meninas, com a pequena faca nas mãos, operando aquele que seria o "milagre da maçã". Uma cena espontânea que reflete um sentimento comum para quem chega até ali: é difícil não se envolver com a realidade de Manari."

"(...)Toda a miséria está ali. Na falta de comida; na necessidade de remédios; nos retalhos de colchão velho espalhados pelo chão de barro onde as crianças dormem; na falta de um banheiro (os banhos são na cisterna e o resto, no mato mesmo). O pior lugar para se viver é aquele em que sequer podemos chamar a existência de vida. Mas os olhos de quem passa não enxergam a mesma realidade dos de quem fica."

"(...) Aqui até o nada serve". A frase é de Teresa Maria dos Santos. Agricultora de 54 anos. Difícil entender onde ela quis chegar. Diante da reação surpresa de quem a entrevistava, ela reforça sua teoria sobre o "nada" e a sua cidade: 'e não serve, não'?"

"(...) Depois de minutos de conversa, começa a ficar um pouco mais fácil entender o que ela quis dizer com "aqui até o nada serve". O "nada" de hoje, simplesmente, é melhor que o "nada" de ontem. "Vivíamos morrendo de sede aqui. Não tinha médico, remédios, nem escola. Sempre fomos pobres, mas hoje a gente acorda sabendo que vai viver", diz. Sua vida mudou.Pouco, mas mudou. Sua mãe tem 80 anos e uma saúde tranqüila. Viveu além da "esperança" da cidade. Seus quatro filhos reescreveram a história da família e aprenderam a escrever. Todos estão na escola. E Manari aprendeu a lição."

"(...) Deixamos Manari. Pelo caminho de areia. Mas, com outros olhos. Antes do asfalto, uma última parada. Voltamos para a casa onde vivem Aneci e os seus sete filhos. A história deles foi contada ontem. Dessa vez, deixamos o caderno e a câmera fotográfica de lado. Como disse no início do texto de ontem, é difícil não se envolver com Manari. Não se integrar. Não ajudar. Ali, já não éramos mais jornalistas. Eles, não eram mais personagens. Sacolas com comida e doces. Sorrisos. Lágrimas. Silêncio. E várias mãozinhas acenando.

O jornalismo às vezes tem uma lógica perversa. Vendo a miséria sumindo aos poucos no retrovisor, fica a certeza de que, no próximo censo do IBGE, aquela não será mais a cidade com pior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil e certamente, não estará mais na rota das equipes reportagens - que seguem ávidas os rumos que as pesquisas e análises sociais revelam. Manari desaparece na poeira. Na cabeça, volta a imagem daquelas mãozinhas acenando tchau, sem saber que, possivelmente, estavam dizendo 'adeus'. "

9 de set de 2007

Dá-me a Tua Mão


Estou sem tempo de escrever textos e publicá-los aqui. Mas para não deixar o blog tão desatualizado posto o poema ste poema Dá-me a Tua Mão que é da escritora ucraniana Clarice Lispector. Clarice que, inclusive, viveu durante a infância em Recife e estudou no Ginásio Pernambucano. A autora escreveu diversos livros entre ele Perto do Coração Selvagem (1943), Laços de Família (1972) e o inesquecível A Hora da Estrela (1977).


Dá-me
a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

1 de set de 2007

Deixem-me viver!

Em um post anterior falei de aborto, contudo não poderia deixar de publicar essa história. O Caso da Espinha Bífica é um relato emocionante e comovente, um grito silencioso pela vida. É um caso verídico. Não preciso falar muito porque a imagem fala por mil palavras.


O Caso da Espinha Bífida

Um fotográfo que fez a cobertura de uma intervenção cirúrgica para corrigir um problema de espinha bífida realizada no interior do útero materno num feto de apenas 21 semanas de gestação, numa autêntica proeza médica, nunca imaginou que a sua máquina fotográfica registaria talvez o mais eloqüente grito a favor da vida conhecido até hoje.

Enquanto Paul Harris cobria, na Universidade de Vanderbilt, em Nashville, Tennessee, Estados Unidos, o que considerou uma das boas notícias no desenvolvimento deste tipo de cirurgias, captou o momento em que o bebê tirou a sua mão pequenina do interior do útero da mãe, tentando segurar um dos dedos do médico que o estava a operar.

A foto, espectacular, foi publicada por vários jornais dos Estados Unidos e a sua repercussão cruzou o mundo até chegar à Irlanda, onde se tornou uma das mais fortes bandeiras contra a legalização do aborto. A pequena mão que comoveu o mundo pertence a Samuel Alexander, cujo nascimento deverá ter ocorrido no passado dia 28 de dezembro (no dia da foto ele tinha apenas 5 meses de gestação).

Quando pensamos bem nisto, a fotografia é ainda mais eloqüente. A vida do bebê está literalmente presa por um fio. Os especialistas sabiam que não conseguiriam mantê-lo vivo fora do útero materno e que deveriam tratá-lo lá dentro, corrigindo a anomalia fatal e voltar a fechar o útero para que o bebê continuasse o seu crescimento normalmente. Por tudo isso, a imagem foi considerada como uma das fotografias médicas mais importantes dos últimos tempos e uma recordação de uma das operações mais extraordinárias registadas no mundo.

Agora, o Samuel tornou-se no paciente mais jovem que já foi submetido a este tipo de intervenção e, é bem possível que, já fora do útero da mãe, Samuel Alexander Arms aperte novamente a mão do Dr. Bruner.

A apresentadora de televisão Justine McCarthy disse que é impossível não se comover com a imagem poderosa desta mão pequenina que segura o dedo de um cirurgião e nos faz pensar em como uma mão pode salvar vidas.
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Espinha bífida significa espinha cindida ou dividida. Esta divisão se dá nas primeiras semanas de gravidez, quando a medúla , então em formação, não se fecha corretamente, o que faz com que os bêbes apresentem os nervos expostos e vértebras danificadas. Crianças portadoras de espinha bífida poderão apresentar dificuldades de coordenação, aprendizado, controle muscular e mobilidade.

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Precisa dizer alguma coisa? Creio que não.

Ontem, iria publicar o texto acima, porém não tive tempo, ou talvez o destino não quisesse. À noite, fui à Igreja e, por coincidência ou providência, houve uma apresentação sobre o aborto e tocou uma música belíssima que eu já conhecia, mas não lembrava dela. O nome da canção é Grito Silencioso, da banda Santa Clara. Por coincidência, também, eu escrevi que a imagem a cima era um grito silencioso. Infelizmente, não dá para colocar o áudio, contudo publico a letra.


Grito Silencioso
Kátia Simone

Há um sonho realizado, grande obra de Deus Pai
Dar a vida para os filhos, amar, sorrir, louvar e ser feliz
Mas os homens insensíveis sempre querem decidir
quem tem o direito a viver ou quem está
condenado a morrer

Grito silencioso de órfãos inocentes
em nome da liberdade,
assassinados no ventre.

Relações irresponsáveis fazem da vida um brinquedo
tão longe de serem um verdadeiro amor.
Não darão o primeiro grito, nem nos lábios um sorriso.
Pequeninos, indefesos, abortados em segredo
o seu destino é a dor.

Cruelmente exterminados, só queriam ser amados
E fazer tudo que uma criança faz.
Retirados em pedaços, por veneno ou sufocados
pequeninos torturados, pelos seus desamparados
não conheceram o amor.

Grito silencioso, que machuca
o coração de Deus
Maria, mãe da Igreja, roga pelos filhos seus.

31 de ago de 2007

Justiça???

Promotor acusado de assassinato ganha
cargo vitalício e se livra do júri

O Órgão Especial do Ministério Público Estadual efetivou ontem (29/08/2007) Thales Ferri Schoedl no cargo de promotor de Justiça. Acusado de assassinar um rapaz e balear outro em dezembro de 2004 na Riviera de São Lourenço, litoral paulista, Schoedl, de 29 anos, ganhou direito a foro rivilegiado. Assim, em vez de enfrentar júri popular, ele será julgado pelo Tribunal de Justiça. Além disso, voltará às suas atividades de promotor substituto e continuará a receber o salário de R$ 10,5 mil.

Schoedl matou a tiros o estudante Diego Mendes Modanez, de 20 anos, e feriu o estudante Felipe Siqueira Cunha de Souza, que na época tinha 20 anos. O crime aconteceu na saída de uma festa. O promotor disparou 12 tiros em Modanez e Souza. Em depoimento, disse que voltava para casa com a namorada Mariana Uzores Batoleti, então com 19 anos, quando um grupo de mais de dez rapazes passou a mexer com a moça. Schoedl afirmou que agiu em legítima defesa.

Apesar da repercussão do assassinato, o julgamento de ontem não levou em consideração o caso de Bertioga. O que se analisava era a conduta profissional de Schoedl antes do crime. Dos 42 procuradores membros do Órgão Especial, 40 podiam votar, mas só 31 compareceram à sessão - 16 optaram por manter Schoedl no cargo e 15 foram contra. 'É lamentável. Ele não tem condições de permanecer na carreira. Demonstrou que não tem capacidade para trabalhar como promotor', disse o procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo Pinho, chefe do MPE, que ofereceu a denúncia contra Schoedl. Os nomes dos procuradores que votaram pela permanência do promotor não foram divulgados.

Pinho informou que é possível questionar o resultado do julgamento no Conselho Nacional do Ministério Público. 'A solução é o controle externo. A própria família poderá entrar com um pedido de providências e já confirmou que vai fazer isso.'

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Um promotor de justiça que promove a violência, o sofrimento e interrompe sonhos deve continuar no cargo? Deve continuar trabalhando como se nada tivesse acontecido? Talvez muitos digam que não. Mas não é o que o colegiado do Ministério Público de São Paulo decidiu. Portanto vamos continuar pagando a bagatela de R$ 10.500 para que o nobre promotor continue tendo mordomias, vestindo roupas de grife, comendo nos melhores restaurantes, viajando e caminhando nas ruas como um cidadão de bem.

Dá para acreditar na justiça?

Eu ainda acredito... na justiça divina.

21 de ago de 2007

"A vida rompe os limites das fórmulas."

Estou postando uma poesia que acho belíssima. Na verdade, é um trecho de um poema de Olavo Bilac chamado Via Láctea. Não sou fã de Bilac, assim como não sou fã dos poetas parnasianos que em sua maioria se preocupavam apenas com a forma do poema. Todavia nessa poesia, o poeta desnudou os seus sentimentos e nos brindou com um lindo e longo poema, do qual publico uma parte.

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto, cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Transloucado amigo,
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

16 de ago de 2007

Legalizar o aborto é legalizar um crime

Foi realizada, em Brasília, na última quarta-feira, a Marcha Nacional em Defesa da Vida, com apoio e participação de várias entidades religiosas e civis. O ato foi promovido pelo movimento "Brasil sem Aborto".

O objetivo do protesto é mostrar a indignação dos cidadãos em relação a legalização do aborto no Brasil. Sou católica e contra o aborto, por isso apoio o movimento. O Brasil vive tempos de violência gratuita e quer legalizar um assassinato? Que moral teremos para combater a violência? Estamos lidando com vidas, e vidas indefesas. Abaixo, segue um texto sobre o aborto.

Carta de um bebê a sua mãe

Oi mamãe, tudo bom? Eu estou bem, graças a Deus. Faz apenas alguns dias que você me concebeu em sua barriguinha. Na verdade, não posso explicar como estou feliz em saber que você será minha mamãe. Outra coisa que me enche de orgulho é ver o amor com que fui concebido. Tudo parece indicar que eu serei a criança mais feliz do mundo!

Mamãe, já se passou um mês desde que fui concebido e já começo a ver como o meu corpinho começa a se formar, quer dizer, não estou tão lindo como você, mas me dê uma oportunidade! Estou muito feliz! Mas tem algo que me deixa preocupado... Ultimamente me dei conta de que há algo na sua cabeça que não me deixa dormir, mas tudo bem, isso vai passar, não se desespere.

Mamãe, já se passaram dois meses e meio, estou muito feliz com minhas novas mãos e tenho vontade de usá-las para brincar. Mamãezinha me diga o que foi? Por que você chora tanto todas as noites??? Porque quando você e o papai se encontram, gritam tanto um com o outro? Vocês não me querem mais ou o que? Vou fazer o possível para que me queiram...

Já se passaram 3 meses, mamãe, te noto muito deprimida, não entendo o que está acontecendo, estou muito confuso. Hoje de manhã fomos ao médico e ele marcou uma visita para amanhã.. Não entendo, eu me sinto muito bem... por acaso você se sente mal mamãe? Mamãe, já é dia, onde vamos? O que está acontecendo mamãe? Porque chora? Não chore, não vai acontecer nada... Mamãe, não se deite, ainda são 2 horas da tarde, não tenho sono, quero continuar brincando com minhas mãozinhas. Ei!!! O que esse tubinho está fazendo na minha casinha??? É um brinquedo novo??? Olha!!! Ei, porque estão sugando minha casa?? Mamãe!!! Espere, essa é a minha mãozinha!!! Moço, porque a arrancou??? Não vê que me machuca??? Mamãe, me defenda!!! Mamãe, me ajude!!! Não vê que ainda sou muito pequeno para me defender sozinho?? Mãe, a minha perninha, estão arrancando!!! Diga para eles pararem, juro a você que vou me comportar bem e que não vou mais te chutar. Como é possível que um ser humano possa fazer isso comigo? Ele vai ver só quando eu for grande e forte ai mamãe, já não consigo mais....ai.... mamãe, mamãe, me ajude....

Mamãe, já se passaram 17 anos desde aquele dia, e eu daqui de cima observo como ainda te machuca ter tomado aquela decisão. Por favor, não chore,lembre-se que te amo muito e que estarei aqui te esperando com muitos abraços e beijos.
Te amo muito!!!
Seu bebê.

(Autor desconhecido)

12 de ago de 2007

Obrigada, pai!

Hoje, é dia dos pais. Enquanto muitos estão com seus pais comemorando, eu estou sentindo uma enorme saudade do meu. Pois meu pai não está mais aqui, não fisicamente. Contudo está no meu pensamento e no meu coração. A vida nos prega peças nem sempre agradáveis. É difícil não ter meu pai junto de mim, com toda a sua calma e paciência, sobretudo quando me ensinava as tarefas de matemática. Era um pai amigo, carinhoso e do qual tenho muito orgulho. Ele é o meu maior exemplo de determinação e de que nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Aos que têm o privilégio de ter um pai ao lado, digo que valorizem cada segundo ao lado dele, pois ninguém sabe o dia de amanhã. Valorizem as pessoas que vocês amam, valorizem os momentos que parecem banais, mas que deixarão doces recordações. Felizmente, tenho vários momentos assim para recordar. Abaixo, uma singela homenagem ao meu amado e inesquecível pai...


“Obrigada, pai, pela vida.
Pela coberta que me aquece.
Pelo teto que me abriga.
Por tua presença amiga.

Obrigada, pai, pelos doces, pelos presentes.
Pelos passeios na praça.
Obrigada, pai pelo suor na fronte
E pelos braços cansados no final da jornada
Para que nada me faltasse.

Obrigada, pai,
Pelas noites em claro
Quando o dinheiro não deu
E mesmo assim,
Nunca nos abandonaste.
Porque me castigaste
Quando eu estava errado
E por tentar me mostrar
O caminho da verdade.

Obrigada, pai,
Por tantas vezes que abdicaste
Teus sonhos para realizar os meus
E abriste mão das tuas vontades
Para realizar meus caprichos.
Obrigada, pai, porque tu existes!”


Mesmo que não estejas fisicamente perto de mim, estais dentro do meu coração e pertinho de Deus intercedendo por mim. Lembro que, certa vez, o senhor me disse que o time pelo qual torcia era: eu. Por isso faço de tudo para que o senhor tenha orgulho de mim. Não é fácil viver sem a sua presença amiga e sem as suas palavras de incentivo, mas vivo na certeza de um dia poder te reencontrar.
TE AMO!!!

7 de ago de 2007

Conto de fadas do século XXI

Era uma vez, numa terra muito distante, uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima que se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas. Então a rã pulou para o seu colo e disse:

- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava... Nem morta!

Luis Fernando Veríssimo

30 de jul de 2007

E vida tão generosa comigo veio através do Jorge Vercilo, me apresentar a vocês...


A noite de sexta-feira (27/07/07), foi mais uma daquelas noites inesquecíveis. Por quê? Simplesmente porque pude rever o meu amado cantor, Jorge Vercilo. Quem me conhece sabe o quanto ele é especial para mim. As canções desse poeta fazem parte da trilha sonora da minha vida. Tantos os momentos bons como os ruins têm sempre a doce voz de Vercilo para exaltá-los ou amenizá-los.
Quanto ao show, cheguei às 20h e me deparei com uma imensa fila para entrar no teatro. Quase me desesperei, pois achava que não iria conseguir um bom lugar para curtir o show. Para minha surpresa consegui sentar na primeira fila. Além de me deliciar com o show do Jorge conheci pessoas super especiais, atenciosas, simpáticas e que também fazem parte da família "Vercilo". Sim, porque todos nós, fãs do Jorge Vercilo, nos consideramos da família dele porque é assim que ele nos faz sentir. Entre essas pessoas maravilhosas que encontrei estão: Freddy (que já havia tido o prazer de conhecer), Marcinha, Paulinha, Valdeline e Cátia. Pessoas que conhecia através de mensagens carinhosas que mandavam para o nosso querido cantor. Além de outros amigos que fiz, mas que não conheço pessoalmente, ainda. Entre eles: Dani Rêgo Barros, Renata Novacosque, Catharina, Elói, Vera... Hoje, graças ao Jorge formamos um elo de amizade que nunca irá se desvencilhar. O show, como sempre, foi maravilhoso! Mas não posso deixar de lamentar as cenas de fanatismo, ou melhor, de exibição. Várias mulheres subiram ao palco e agarram o Vercilo. Atitudes que os verdadeiros fãs jamais tomariam. Pois quem conhece o Jorge sabe que ele com a maior paciência do mundo recebe os fãs no camarim. A gota d'água foi quando uma dessas histéricas esbarrou com ele, no momento em que ele começava a cantar a música "Fênix". Foi ridículo! Nunca vi o Jorge tão irritado... contudo ele tentou contornar a situação da melhor maneira possível. Continuou cantando e encantando... Aliás, ele é a pessoa mais paciente que conheço e também uma das mais educadas. Depois de tudo o que aconteceu, ainda tenho que agüentar certas pessoas dizerem que ele é muito chato porque não abraçou ou deixou ser beijado pelas histéricas. Assim, ele iria parar o show, mandar fazer uma filinha e receber beijinhos e abraços. Ah! Tenha a santa paciência. É lamentável ter que desejar que apenas os verdadeiros fãs vá aos shows para evitar que cenas como a do último show aconteçam. No mais, Jorge Vercilo e banda arrasaram!!!
"(...) Se carece de definição, me sinto leve, leve..."

Em Órbita
Jorge Vercilo

Quero ter você pelo simples fato de ter tudo a ver,
Não dá pra disfarçar
Céu do bem-querer, tua boca linda, lua sobre o mar
Decifra-me ou te devoro!
Sabe ler meu olhar?
Fissura é pouco, amor
Eu sinto que é mais fundo que o mar
Êxtase, frênesi
É todo meu viver
Em órbita há dias por você
Quero ter você
Muito mais que um dia eu sonhei querer
É só você chegar
Pra me enlouquecer,
Brilho espontâneo de oceano e mar
E um Mediterrâneo no
Azul do olhar, ah, meu Deus!
Deslumbre é pouco, amor
Eu digo que é mais fundo que o mar
Êxtase, frênesi
É o céu do meu viver
Em órbita há dias por você
Sabe ler meu olhar?
Fissura é pouco, amor
Eu sinto que é mais fundo que o mar
Êxtase, frênesi
É todo meu viver
Em órbita até pousar, em órbita até descer
Em órbita há dias por você

UMA GOTA DE ÁGUA

Você já parou, alguma vez, para observar uma gota d’água?
Sim uma pequena gota d’água se equilibrando na ponta de um frágil raminho...
Com graciosidade a gotícula desafia a lei da gravidade, se balançando nas bordas das folhas ou nas pétalas de uma flor.
São gotas minúsculas, que enfeitam a natureza nas manhãs orvalhadas ou permanecem como pequenos diamantes líquidos, depois que a chuva se vai.
É por isso que um bom observador dirá que a vida seria diferente se não existissem gotas de água para orvalhar a relva e amenizar a secura do solo.
Madre Tereza de Calcutá foi uma dessas almas sensíveis.
Um dia, um jornalista que a entrevistava disse-lhe que, embora admirasse o seu trabalho junto aos pobres e enfermos, considerava que o que ela fazia, diante da imensa necessidade, era como uma gota d’água no oceano. E aquela pequena sábia-mulher, lhe respondeu: “sim, meu filho, mas sem essa gota d’água o oceano seria menor.” Sem dúvida uma resposta simples e extremamente profunda. Pois sem os pequenos gestos que significam muito, a vida não seria tão bela...
Um aperto de mão, em meio a correria do dia-a-dia...
Um minuto de atenção a alguém que precisa de ouvidos atentos, para que não caia nas malhas do desespero...
Uma palavra de esperança a alguém que está à beira do abismo.
Um sorriso gentil a quem perdeu o sentido da vida.
Uma pequena gentileza diante de quem está preso nas armadilhas da ira.
O silêncio, frente à ignorância disfarçada de ciência...
A tolerância com quem perdeu o equilíbrio.
Um olhar de ternura para quem pena na amargura.
Pode- se dizer que tudo isso são apenas gotas d’água que se perdem no imenso oceano, mas são essas pequenas gotas que fazem a diferença para quem as recebe.
Sem as atitudes, aparentemente insignificantes, que dentro da nossa pequenez conseguimos realizar, a humanidade seria triste e a vida perderia o sentido.
Um abraço afetuoso, nos momentos em que a dor nos visita a alma...
Um olhar compassivo, quando nos extraviamos do caminho reto...
Um incentivo sincero de alguém que deseja nos ver feliz, quando pensamos que o fracasso seria inevitável...
Todas essas são atitudes que embelezam a vida.
E, se um dia alguém lhe disser que esses pequenos gestos são como gotas d’água no oceano, responda, como Madre Tereza de Calcutá, que sem essa gota o oceano de amor seria menor.
E tenha certeza disso, pois as coisas grandiosas são compostas de minúsculas partículas.
Sem a sua quota de honestidade, o oceano da nobreza seria menor.
Sem as gotas de sua sinceridade, o mar das virtudes seria menor.
Sem o seu contributo de caridade, o universo do amor fraternal seria consideravelmente menor.
E jamais acredite naqueles que desconhecem a importância de um pequeno tijolo na construção de um edifício.
Lembre-se da minúscula gota d`água, que delicadamente se equilibra na ponta do raminho, só para tornar a natureza mais bela e mais romântica, à espera de alguém que a possa contemplar.
E, por fim, jamais esqueça que são essas mesmas pequenas e frágeis gotas d`água que, com insistência e perseverança conseguem esculpir a mais sólida rocha.

Autor desconhecido

24 de jul de 2007

Para Tu Amor - Juanes

Para tu amor lo tengo todo
Desde mi sangre hasta la esencia de mi ser
Y para tu amor que es mi tesoro
Tengo mi vida toda entera a tus pies

Y tengo también
Un corazón que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos

Para tu amor no hay despedidas
Para tu amor yo solo tengo eternidad
Y para tu amor que me ilumina
Tengo una luna, un arco iris y un clavel

Y tengo también
Un corazón que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos

Por eso yo te quiero tanto que no sé como explicar
Lo que siento
Yo te quiero porque tu dolor es mi dolor
Y no hay dudas
Yo te quiero con el alma y con el corazón
Te venero
Hoy y siempre gracias yo te doy a ti mi amor
Por existir

Para tu amor lo tengo todo
lo tengo todo y lo que no tengo también
Lo conseguiré
para tu amor que es mi tesoro
Tengo mi vida toda entera a tus pies

Y tengo también
Un corazón que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos

Por eso yo te quiero tanto que no sé como explicar
Lo que siento
Yo te quiero porque tu dolor es mi dolor
Y no hay dudas
Yo te quiero con el alma y con el corazón
Te venero
Hoy y siempre gracias yo te doy a ti mi amor

SE O AMANHÃ NÃO VIER


Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir, eu aconchegaria você mais apertado e rogaria ao Senhor que protegesse você.

Se eu soubesse que essa seria a última vez que veria você sair pela porta, eu abraçaria, beijaria você, e chamaria você de volta para abraçar e beijar uma vez mais.

Se eu soubesse que essa seria a última vez que ouviria sua voz em oração, eu filmaria cada gesto, cada palavra sua para que eu pudesse ver e ouvir de novo, dia após dia.

Se eu soubesse que essa seria a última vez, eu gastaria um minuto extra ou dois, para parar e dizer: "EU TE AMO", ao invés de assumir que você já sabe disso.
Se eu soubesse que essa seria a última vez, eu estaria ao seu lado, partilhando do seu dia, ao invés de pensar: "Bem, eu tenho certeza que outras oportunidades virão, então eu posso deixar passar esse dia".

É claro" que haverá um amanhã para se fazer uma revisão, e nós teríamos uma segunda chance para fazer as coisas da maneira correta.
"É claro" que haverá um outro dia para dizermos um ao outro: "EU TE AMO", e certamente haverá uma nova chance de dizermos um para o outro: "Posso te ajudar em alguma coisa?"

Mas no caso de eu estar errado, e hoje ser o último dia que temos, Eu gostaria de dizer O QUANTO EU AMO VOCÊ, e espero que nunca nos esqueçamos disso. O dia de amanhã não está prometido para ninguém, jovem ou velho, e hoje pode ser sua última chance de segurar bem apertado, a pessoa que você ama. Se você está esperando pelo amanhã, porque não fazer hoje?

Porque se o amanhã não vier, você com certeza se arrependerá pelo resto de sua vida, de não ter gasto aquele tempo extra num sorriso, num abraço, num beijo, porque você estava "muito ocupado" para dar para aquela pessoa, aquilo que acabou sendo o último desejo que ela queria.

Então, abrace o seu amado, a sua amada hoje. Bem apertado. Sussurre nos seus ouvidos, dizendo,
o quanto o(a) ama e o quanto o(a) quer junto de você. Gaste um tempo para dizer: "Me desculpe", "Por favor", "Me perdoe", "Obrigado", ou ainda: "Não foi nada", "Está tudo bem".
Porque, se o amanhã jamais chegar, você não terá que se arrepender pelo dia de hoje.

Este texto foi anexado no mural de comunicação interna da TAM, após o trágico acidente que aconteceu no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

23 de jul de 2007

Música



Divina Música!
Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
E do Amor.
Sonho do coração humano,
Fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
Confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
Das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
Fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações.

Kahlil Gibran

O Louco


"Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascidos, despertei de um sono profundo e notei que todas minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado sete vidas - corri sem máscara pelas ruas gritando: "ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de casa gritou: "É um louco!" olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou-me pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: "Benditos, benditos sejam os ladrões que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei, tanto liberdade como segurança em minha loucura: A liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que compreende escraviza alguma coisa em nós."

Kahlil Gibran

18 de jul de 2007


"...me disseram que sonhar era ingênuo, e daí?
Nossa geração não quer sonhar,
pois que sonhe a que há de vir."


Este é um trecho da música Travessuras composta por Oswaldo Montenegro.

17 de jul de 2007

Guarde nos Olhos...

Em primeiro lugar vou explicar o nome que escolhi para este blog. "Guarde nos Olhos" é uma bela música composta por Ivan Lins e Vitor Martins. Ela fala de coisas simples que muitas vezes tornam-se invisíveis aos nossos olhos, mas que se forem observadas com atenção nos revelam que a felicidade está nas coisas simples da vida. Pensei em vários nomes para este blog (a maioria relacionados com música), tentei fugir das músicas de Jorge Vercilo (cantor que amo), em parte, consegui, pois a música não foi composta por ele. Contudo, Ivan Lins convidou Vercilo para participar do DVD Ao Vivo e "Guarde nos Olhos" foi a música escolhida para o dueto. Tenho que admitir não é fácil se desvencilhar de Jorge Vercilo. "(...) eu tô na tua teia."
Segue a letra da música que dá título ao blog.



Guarde nos Olhos
Guarde nos olhos
A água mais pura da fonte
Beba esse horizonte
Toque nessas manhãs
Guarde nos olhos
A gota de orvalho chorando
Guarde o cheiro do cravo
Do jasmim, do hortelã
Guarde o riso
Como nunca se fez
Corra os campos
Pela última vez
Guarde nos olhos
A chuva que faz as enchentes
Vai um pouco com a gente
Rumo a capital
Vai dentro da gente
Vamos pra capital
...Tá nos olhos da gente