11 de jan. de 2011

Simplesmente posso esperar aqui por você uma eternidade, uma tarde inteira


Ontem foi um daqueles dias em que tudo conspirou a meu favor, embora eu não tenha compreendido os sinais. Li o horóscopo  mais por um ato mecânico do que por acreditar que naquelas poucas linhas o meu destino estivesse traçado. Já imaginou se todos os nativos de escorpião encontrassem o amor da sua vida ontem? Haveria um déficit de homens solteiros (ainda maior) na face da Terra.

O domingo transcorreu na mais perfeita paz. Fiz uma matéria. Revisei. Publiquei. A tarde estava reservada para um passeio com os amigos. E como de costume, liguei o rádio e fui me arrumar. Já pronta, fui até o rádio para desligá-lo. Mas, eis que tocou aquela canção do Vercillo (que só por isso já seria especial). Mas não era apenas mais uma canção do Jorginho. Era justamente aquela que me faz lembrar você... "Há tanto céu tanto mar entre você e eu pra sempre." Mais um sinal que não levei à sério. Ouvi a música, recordei os bons momentos e segui.

No ônibus encontro você após meses da tua ausência. Fiquei desconcertada como da primeira vez. A palpitação, o nervosismo, nada mudou. Que bom! E que bom que para você também não. Somos os mesmos apaixonados de sempre. Mesmo desencontros depois. Minha vida encostou na sua e mais uma vez nos perdemos. Mais um desencontro até o encontro final. O horóscopo, a música,  os sinais, seus olhos procurando os meus, os meus tentando te achar na multidão... "Vai acontecer não importa o tempo que isso leve. Sei que é pra valer. Se não for assim, pra mim não serve." E seguimos cada um o seu trajeto. Mas aquela certeza de que um dia o conto de fadas se tornará real com direito a 'foram felizes para sempre', segue conosco. "Ventos de bons sentimentos voltaram a soprar por dentro."

10.01.2011

23 de dez. de 2010

"A necessidade tem cara de gente"

Da Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Olinda e Recife

Uma noite para alimentar o coração. Assim pode ser descrita a implantação da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Olinda e Recife, ocorrida na terça-feira, 21. O evento teve início com louvores no Pátio da Igreja Nossa Senhora do Livramento, bairro de São José, no Recife, e contou com a participação de centenas de ‘irmãos de rua’.

Os moradores de rua cantaram e rezaram ao som de músicas cristãs. O arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido, presidiu a Celebração da Palavra e compartilhou as palavras de Jesus. Era hora de alimentar a alma de esperança.

“Procuramos oferecer a vocês o pão da palavra, mas nós precisamos também do pão material, por isso a nossa festa não seria completa se ficássemos apenas aqui nesse encontro de partilha da palavra sem haver o encontro em torno da mesa. A mesa do pão, a mesa que vai nos ajudar a saciar a nossa fome”, afirmou o arcebispo em sua homilia.

Após o momento de oração, todos se dirigiram até a Basílica de Nossa Senhora da Penha, onde foi servido o jantar natalino. Por trás de cada sorriso, uma história de luta e sofrimento. Pessoas de diversos bairros do Recife e de outras cidades atenderam o convite de dom Fernando e foram participar daquela, que para muitos, era a única refeição do dia. A necessidade não tem idade. Ela se revelava na criança ainda no ventre de uma franzina jovem até nos idosos que saciavam a fome de vida.

Entre tantos relatos, o de uma criança, da periferia de Olinda que junto com a mãe e os sete irmãos foram até o centro do Recife. Chegar lá não foi fácil. Viver não é simples. A menina radiante não deixava dúvidas: “a necessidade tem cara de gente”. Admirada com tantos flashes, pediu para tirar uma foto do presépio e mirou nas estrelas. Ela buscava o alto. Era a esperança de dias melhores.

“Através desse evento queremos promover a unidade. A fim de que possamos trilhar juntos objetivos maiores e conseguir para vocês aquilo que têm direito porque são como nós filhos de Deus”, afirmou dom Fernando.

Dezenas de voluntários ajudaram na distribuição do jantar e dos lençóis doados aos irmãos de rua. Entre eles, o integrante da Fraternidade O Caminho, Irmão Servo, que é paraense e há cinco anos trabalha com irmãos de rua da cidade do Recife. “Se tiver como ajudar estou aqui. O que a gente quer é que os irmãos tenham dignidade”, disse.

A Pastoral de Rua faz parte da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz, responsável pela coordenação das ações. “O sentimento que fica é o de bem-estar em saber que uma parte da missão foi cumprida, mas que a partir dela se iniciam novos desafios para que a caridade seja concretizada”, revelou o presidente da comissão, padre Francisco Mota.

Voluntariado – As pessoas e grupos que quiserem saber mais sobre a Pastoral de Rua ou participar como voluntários podem ligar para a Pastoral Social pelo telefone 3271.1090, de segunda a sexta, das 7h às 13h.










8 de dez. de 2010

Subjetividade jornalística


Não é que o mundo seja só ruim e triste. É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais. Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito. Só os poetas o fazem.

Rita Apoena

7 de dez. de 2010

"O essencial é invisível aos olhos"


Era manhã de uma longa semana de trabalho. Ônibus lotado, trânsito lento, pessoas reclamando. Tudo na mais imperfeita normalidade. Exceto por um pequeno detalhe que encheu aquele instante de cor. Detalhe este que ninguém percebeu nem naquele dia nem em nenhum dos dias que se sucederam ao longo daqueles 11 meses. Pelo menos, nunca ouvi nenhum comentário. E será que aquele gesto merecia admiração? Merecia muito mais que isso. Um livro, talvez. Uma reportagem. Ou a simples crônica que escrevo agora.

Talvez algum jornalista, além de mim, tenha pensado em escrever algumas linhas sobre o fato. Talvez tenha pensado em fazer uma entrevista perfil com o autor do ato e revelá-lo à sociedade, que passaria a voltar o olhar, habituado ao cotidiano, àquela pequena ação. Talvez. Mas talvez tenha esbarrado no olhar estreito de algum editor. Então, recordo um texto escrito pela escritora Rita Apoena: "Não é que o mundo seja só ruim e triste. É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais. Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito. Só os poetas o fazem." Jornalista não é um pouco poeta? Cronista? Ou pelo menos deveria ser? Isso não o faria perder a imparcialidade ou a objetividade pregadas nos cursos de jornalismo.
Eu não poderia achar tudo aquilo normal, sem importância e seguir incólume. Então, contei e mostrei a minha prima, que por vezes divide comigo a agonia diária da precariedade do transporte público. Pronto. Agora alguém também repara todas as manhãs aquele gesto simples, mas tão grandioso. Capaz de tecer um poema à simplicidade. O que será que acontece de tão sublime e que ninguém conseguiu perceber?


Todos os dias alguém deposita flores em um respiradouro no canteiro central da avenida Agamenon Magalhães, uma das mais movimentadas da capital pernambucana, nas proximidades do viaduto da avenida Norte – Miguel Arraes de Alencar. Um cano azul transforma-se em vaso. Um ritual sagrado, que em hipótese alguma deveria deixar de ser cumprido. Quando não há flores a serem ofertadas, ramos verde esperança são oferecidos. As flores deveriam ser colhidas em algum lugar distante. Visto que nas proximidades não havia flores daquele tipo.


Mas quem, ao nascer da manhã, dedicaria parte do seu tempo a colher flores, caminhar um longo percurso para depositá-las no jarro improvisado sem que ninguém percebesse a nobreza do gesto?

Num belo dia, mais um em que volvo o olhar para a cena cotidiana, tenho uma grata surpresa. Vejo um homem com semblante jovial, cabelos castanhos na altura dos ombros, trajando calça jeans, camiseta e com uma mochila nas costas caminhando em direção ao respiradouro com um buquê de flores do campo nas mãos. O instante para. Tudo para. Delicadamente, o homem arruma as flores no vaso e vai embora. Simples e rápido assim.

Aquele homem, aquele gesto simples me fez recordar outro homem que viveu aqui há mais de 2 mil anos. Até se pareciam fisicamente. Pelo menos, pelas referências que temos do jovem Galileu. A única coisa divergente era os trajes modernos usados pelo jardineiro, próprios do século 21. A eloqüência dos gestos e do silêncio era a mesma. Falavam sem palavras. Dedicavam suas vidas a encher de beleza e maciez tantas outras. Mesmo que a maioria das pessoas estivesse surda àquele grito.

Minha vontade era descer do ônibus, parar o relógio e roubar um pouco do tempo dele. Entender a razão daquele ato. Ouvi-lo contar sua história. Repetir, assim, o gesto de Maria sentada aos pés do Cristo mesmo com tantos afazeres domésticos à sua espera. Mas eu não tinha tempo. Tinha horário a cumprir.

Aquela cena se repete diariamente e tem o poder de ser única. Aquele homem tornou aqueles mágicos segundos eternos. Aprendeu com Deus a desenhar coisas bonitas no mundo. Seria o senhor Gentileza recifense? Não sei. Só sei que me mostrou que é verdade a frase dita por Shakespeare: “São os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular.”
 

"Imagine que o universo é uma imensa máquina giratória. Você quer ficar perto do centro da máquina - bem no eixo da roda -, e não nas extremidades, onde os giros são mais violentos, onde você pode se assutar e enlouquecer. O eixo da calma fica no seu coração. É aí que Deus reside dentro de você. Então, pare de procurar respostas no mundo. Simplesmente retorne sempre ao centro, e sempre vai encontrar a paz."  

do livro e filme: Comer, rezar, amar

26 de out. de 2010

...

Eu sempre gostei de pensar o nosso amor nunca acabou. Ou melhor, que o meu amor por você nunca acabou. Acho que ele deve ter se transformado em algo lindo, maior, infinito. Evoluiu. É isso, evoluiu. E por algum motivo, seja por imaturidade, orgulho ou humanidade sejamos incapazes de vive-lo. O nosso amor foi maior que tudo - maior que a sua frieza, maior que meu sarcasmo. Maior que nós dois. Maior, tão maior que não coube na gente.


Paula Fernandes

25 de out. de 2010

"Você vai me sorrir, você vai se enfeitar e vem me seduzir..."

(Você vai me seguir, Chico Buarque de Hollanda)

Não que fosse impossível, mas como amar alguém que não ouve a mesma canção? Como amar alguém que não decifra o que há na música, que não entende só a melodia, que não vê a poesia na letra e se emocina? Como não perceber as possibilidades de um amor louco ou breve na canção que se descreve? Como não precisar quando a voz vibra de saudade ou de dor? Não se ama alguém que não ouve.

Não se planeja uma vida com alguém que não ouve a mesma canção, não se preocupa com a poesia, que não a entende, nem a sente, nem a perpetua. Vida sem poesia, não sobra nada, nem amor para o próximo dia. Não se ama alguém que não tenha um livro de Lya Luft, um cd do Chico ou de Maria Bethânia, um quadro na parede e um amor do passado. Aliás, não se ama alguém sem passado, sem história, sem uma saudade de alguma coisa que até quando você olha nos seus olhos sente arder. Quem tem saudade, tem alguma coisa boa que vem desde muito tempo. Não se ama alguém pronto, alguém preparado, alguém seguro de tudo. Só se ama alguém que ainda podemos ver crescer, crescer junto com o que também queremos ser.

Não se entrega um sonho nas mãos de alguém que não ouve a mesma canção, de alguém que não ocupa o teu pensamento todo, e não te retribui em dobro o gesto e o riso. Não se ama alguém que não lê jornais, que não come besteiras, que duvida no toque do telefone. Não se ama alguém que não conhece teu perfume, teu prato e teu lugar preferido. Que não percebe que teu temperamento não é teu signo, que não acredita no que você daria a vida. Não se ama alguém em quem não se confia de olhos fechados e de coração aberto.

Não se apaixone por alguém que não ouve a mesma canção, nem goste de matinês e cafeterias. Não se ama alguém que não tenha plantas em casa, não use tapete na porta de entrada e não tenha talheres de inúmeras cores. Não se ama alguém que derrete na chuva e se torra no sol. Não se ama alguém que não viaja, que não planeja, que não tenha expectativas, nem que sejam mínimas e tolas. Não se ama quem fala pouco, quem gesticula antes da palavra e que não cante junto com a música.

Não se ama quem nunca quebrou um copo, quem nunca esqueceu as chaves, quem está satisfeito com a cor da sala, quem não tem compromisso, quem perde a hora, quem joga extratos fora, quem se muda toda hora, que não tenha manias, que não acorde com o rosto amassado de manhã. Desconfie se não te olhar nos olhos, se não te der segurança no dar das mãos, se mudar de assunto no domingo de manhã e principalmente, com toda certeza, desconfie, mude, termine se não ouvir a mesma canção.


Cáh Morandi
http://umolharparasentir.blogspot.com

14 de out. de 2010

Credo


Não tenho a pretensão de compreender esses sentimentos, 

mas estou disposta a respeitar o caráter sagrado do inexplicável.

Mil dias em Veneza - Marlena de Blasi


Mimo que recebi


Recebi esse mimo da amiga Roseli Pedroso há alguns dias, mas a correria dos meus dias me impediu de postá-lo antes. Contudo, faço isso agora e com o coração feliz pelo presente. Obrigada, Roseli!

Prosseguindo com a brincadeira... tenho que falar nove coisas sobre mim e dedicar o selo à nove blogs. Vamos lá, então!
 
  1. Sou jornalista por profissão;
  2. Sonhadora por vocação;
  3. Amo as coisas simples da vida;
  4. Já fui a pessoa mais paciente e zen do mundo, mas acho que gastei minha cota;
  5. Gosto de ler;
  6. Amo rádio e não vivo sem música;
  7. Acredito que o amor vence tudo, inclusive a barreira do tempo;
  8. Tenho poucos amigos, que valem por um milhão;
  9. Tenho fé!

    O blogs contemplados com o selo são: