22 de fev de 2011

O título de 1987 merece mesmo ser dividido


por Pedro Lazera                          


É justo.

O Flamengo de 87 era um timaço. Tinha Zico, Andrade, Renato, Zinho e outros.

E esse time aí venceu adversários dificílimos: São Paulo, Inter, Grêmio, Atlético.

Por isso que eu acho que a torcida do Flamengo tem todo direito de dizer que ganhou o campeonato brasileiro dentro do campo.

Mas em que campo?

O campo da falta de palavra? Não é isso que acontece quando você assina um contrato e descumpre?

O regulamento estava lá. Assinado por todos.

Um regulamento esdrúxulo, concordo. Afinal, em que outro campeonato o vice-campeão do ano interior ficaria de fora da elite?

Nós já vimos muitos regulamentos toscos, e nem por isso ninguém descumpriu.

Em 2000, o Malutrom poderia ter sido o campeão Brasileiro. O Vasco, de Eurico Miranda, jogou a final contra o São Caetano, que era de outro módulo.

Nós mesmo já jogamos um campeonato pernambucano com três turnos. Ganhamos os três, mas pelo regulamento, teríamos que jogar uma final. Jogamos.

O Inter poderia se recusar a jogar contra o Mazembe. É justo um time que enfrenta uma Libertadores difícil ter as mesmas chances que um time do Congo?

Será que estamos falando do campo da esperteza, do trambique, da malandragem?

Ou seria o campo da covardia? O próprio Zico é um amarelão de primeira. Ou você esqueceu aquele pênalti que ele perdeu na Copa? Ou quando ele abandonou o Flamengo numa época difícil, já como dirigente?

No dia da final, o Sport estava no campo. Esse sim, um campo de verdade. E o “timaço” com Zico, Zinho, Renato e Leandro nem sequer apareceu.

E não apareceu por que? Soberba? Medo? Não interessa.

O fato é que o Sport disputou um campeonato muito mais difícil que o Flamengo. Com Inter de Limeira, Guarani, Bangu e um adversário que supera todos os outros do módulo verde juntos: a banda podre do futebol brasileiro.

Enfrentamos acordos escusos, a manipulação, os interesses corporativos, a ganância. E nesse jogo, meu amigo, são 11 contra 11 milhões de dólares.

Já perdemos muitas vezes para os interesses dessa banda podre. Em 82, contra o próprio Flamengo, quando anularam nosso gol da classificação num lance absurdo. Ou na primeira final da Copa do Brasil, contra o Grêmio, com mais um erro “fantasma”.

Mas em 87 não. Em 87 nós ganhamos.

E diferente de uma decisão de 180 minutos, enfrentamos uma decisão ainda mais árdua, cansativa, que durou vários e vários anos.

Até que a justiça brasileira finalmente soprou o apito final, considerando a sentença como trânsito em julgado. A prova definitiva, irrefutável de que éramos os verdadeiros e únicos campeões.

Mais do que um título, o campeonato de 1987 é um símbolo de luta.

É a prova de que existe sim esperança contra quem engana, distorce, manipula e mente. Contra um sistema que tenta empurrar goela abaixo o que bem entende. O que é mais rentável. O que é mais fácil.

Essa estrela que a gente carrega no peito com tanto orgulho merece sim ser dividida.

Não com o Flamengo e sua tentativa patética de contrariar os valores e leis de uma nação.

Mas sim, com você.

Você que respeita as leis e é honesto. Você que trabalha todo dia com dignidade.

Você que tem valores. Você que acredita que pode vencer qualquer adversário, mesmo que ele seja maior, tenha mais dinheiro e mais poder. Mais do que rubro-negra, a vitória do Sport é verde e amarela. Sempre foi, sempre vai ser e para sempre será.

#Sportcampeão87