27 de ago. de 2008

Ora rua tão deserta, ora multidão


Aromática, apetitosa, multicultural. Essas são algumas formas de definir a famosa rua do Lazer. Localizada no bairro da Boa Vista, entre os blocos A e G da Universidade Católica de Pernambuco, se tornou quase particular.

Particular? Estranho, mas é isso mesmo. Experimente perguntar a alguém onde fica a rua Bernardo Guimarães. Poucos saberão indicar o caminho. Agora, se o questionamento for: como faço para chegar a rua do Lazer da Católica? Prontamente, responderão. Ela não é da universidade de papel passado, e sim por consideração. Digamos assim.

Onde antes trafegavam automóveis, caminham de um lado para outro universitários e professores. Ela é o 'lar' de vendedores ambulantes e donos de lanchonetes. Além de ser o solo em que se ergueu a imponente Biblioteca Pe. Aloísio Mosca de Carvalho, relicário de conhecimento.

Aromática. Rua aromática? Vendem-se ervas por lá? Poderia alguém perguntar. Não, não. O que aguça o olfato dos transeuntes são as iguarias produzidas no local e, que exalam, sem pedir licença, um cheiro convidativo a uma boa refeição. As opções são as mais variadas possíveis. Desde a tradicional e nordestina macaxeira com charque à comida chinesa. Atraídos pela oferta alimentícia, pedintes, assim como Lázaro, esperam pelas saciantes e caridosas migalhas. Mas não é só de pão que os universitários se alimentam.

O conhecimento e a informação podem ser consumidos na banca de revistas. Já o desejo de comer um bombom, próximo à entrada do bloco G. Para os mais vaidosos, bijuterias de crochê, sementes, miçangas e penas. Os amantes da música e inimigos dos preços altos podem adquirir CDs e DVDs piratas.

A rua é para os estudantes point de discussão sobre os trabalhos acadêmicos a serem produzidos ou até, e mais provavelmente, para esquecê-los. Entretanto sua função maior é de saciar a fome, matar as saudades e jogar conversa fora. Se sairmos do bloco A e olharmos para o lado esquerdo da via, veremos uma intensa movimentação. Já no lado direito, a calmaria impera. Até nisso é possível perceber a diversidade de estilos, culturas e personalidades dos que passam por lá.

Palco de protestos, via de comércio segue cumprindo a função que lhe rendeu o carinhoso apelido: rua do Lazer.

24 de abr. de 2008

1000imagens.com

Algumas das imagens que ilustram as frases ou os textos do Guarde nos Olhos são do site www.1000imagens.com Eu indico o site. Quem gosta de fotografias tem que conferir!



"São os pequenos
acontecimentos diários
que tornam a vida espetacular."


autor desconhecido



"Todos estes que estão aí

atravancando o meu caminho,

Eles passarão.

E eu passarinho..."


Mário Quintana



"Eu amo tudo o que foi

Tudo o que já não é,

A dor que já me não dói,

A antiga e errônea fé,

O ontem que dor deixou,

O que deixou alegria

Só porque foi, e voou

E hoje é já outro dia."


Fernando Pessoa

23 de abr. de 2008



"Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."


Pablo Neruda

22 de abr. de 2008

A arte de ser feliz


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meirelles

20 de abr. de 2008

Para se roubar um coração


Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa. Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.

Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente. Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.

Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.

Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago. ...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.

Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava. ... e é assim que se rouba um coração, fácil não?

Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Luís Fernando Veríssimo

18 de abr. de 2008

De mãe para mãe...


Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após noticiário na TV:

“Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da Febem, em São Paulo, para outra dependência da FEBEM no interior do Estado. Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.

Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação, contam com o apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de direitos humanos. Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro.

Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver se abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...

Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem.”

Esta carta tornou-se um manifesto e circula na internet através de e-mails.

“Circule este manifesto! Talvez a gente consiga acabar com esta inversão de valores que assola o Brasil!' Direitos humanos são para humanos direitos!”