17 de ago de 2009

Jornalistas de fato, mas sem direitos


DISCURSO TURMA:
JORNALISTAS DE FATO, MAS SEM DIREITOS.
UNICAP 2009.1


Boa noite a todos!

Em primeiro lugar, quero agradecer por ter sido escolhida para falar em nome de todos os formandos. É uma honra representar essa turma que durante 4 anos passou por poucas e boas...

Mas porque entre tantas profissões fomos escolher jornalismo? Cada um deve ter seu motivo, contudo um parece ser inerente a todos os que decidem ser jornalista: a vontade de mudar o mundo. Essa doce e amarga ideia nos uniu neste sonho. Mas nem todo mundo compreendia isso... Muitos achavam que o glamour é que nos atraia e por várias vezes tivemos que escutar aquela pergunta clássica: “Você vai apresentar o Jornal Nacional?”... E retribuíamos com um sorriso sem graça. Descobrimos que jornalismo não se resume a sentar diante da bancada do Jornal Nacional e apresentá-lo. É muito mais que isso. Envolve caráter, responsabilidade, ética, sensibilidade, isenção e técnica.

Vamos voltar um pouquinho no tempo...

Em agosto de 2005, chegamos à Católica prontos para encarar uma nova fase em nossas vidas. Primeira aula: Introdução ao Jornalismo, com Maria Cleidjane. Apresentações à parte, a sisuda professora tratou logo de mostrar que os 4 anos de faculdade não seriam fáceis. E realmente não foram. Entre descobertas, desilusões, fins de semanas estudando e alguns cochilos durantes as aulas... Finalmente chegamos ao fim do começo.

Sofremos, mas nos divertimos, e muito! Sobrevivemos a Habermas, Chomsky e companhia limitada. Entre pontos, vírgulas e crases, lá estava Neide Mendonça, uma elegante senhora sem papas na língua.

S-A-L-V-E-M! Fala sério... Álvaro arrastava as cadeiras, fazia barulho e perturbava o nosso juízo. Tudo isso para aprendermos a nos concentrar na matéria que estávamos redigindo. E não é que funcionou?!

Há pessoas que são inesquecíveis. Uma delas é a nossa mãezona, Aline Grego. Doce quando devia ser e dura quando precisávamos ouvir algumas verdades. Mãe, amiga, conselheira, mestre... Uma alma perfumada!

Vlaudimir Salvador quebrava os nossos galhos e puxava as nossas orelhas. Tudo porque acreditava que temos talento para fazer sempre mais e melhor. Bené, escondia por baixo daquela fama de mau e exigente, uma pessoa doce e compreensiva.

Ricardo Melo sempre lutando para que nós pudéssemos enxergar os que são excluídos da grande mídia. Dar vez e voz a essas pessoas foi a nossa tarefa na disciplina de Comunicação e Cidadania.

As aulas de fotojornalismo com Renata Victor revelaram alguns talentos e nos fizeram enxergar a vida por outros ângulos e lentes. Como esquecer das aulas de Metodologia Científica com José Tadeu... Pelo amor de Deus o que eram aquelas aulas? (?) E as de Xoxioloxia? Uma comédia...

O pouco tempo me impede de citar todos os professores, mas não dá para deixar de lembrar de Adriana Dória, Figuerôa, Paula Reis, Fradique, Núbia, Libório, Carla Teixeira, Anastácio, Nadilson, Arminda, o Informante (ou melhor Heitor Cunha) e o simpático Marcelo Abreu (brincadeirinha...)

Nossa turma mais parecia uma redação de jornal. Tinha o pessoal da editoria de cultura, política, economia, esportes... Tinha os que amavam cinema e TV, outros rádio. E ainda os que preferiam impresso, foto ou online. Isto só prova o quanto o jornalismo é dinâmico e democrático...

Mas nem tudo são flores... E no fim do curso nos deparamos com a ridícula decisão do Supremo Tribunal Federal que decretou o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Na semana da apresentação dos nossos projetos experimentais recebemos esse “presente de grego”. Nada mais desestimulante, mas que não nos fará desistir. A arte de fazer jornal diário precisa, sobretudo, de ética e técnica. Não se brinca com a opinião das pessoas. E quais interesses os senhores ministros defendem? Eles se dizem defensores da liberdade de expressão. Será isso mesmo? Querem fazer do nosso diploma papel de pão, mas não conseguirão porque lutamos anos por ele e nenhum desses dias foi em vão... Excelentíssimos ministros, os senhores tentaram acabar com o diploma, contudo nunca destruirão os nossos sonhos. Somos Jornalistas de fato, mas sem direitos. Graças aos senhores...

Já passamos por quase tudo nessa vida... Tivemos que responder questões de Comunicação Visual em 4 linhas... Fomos a segunda turma a encarar o novo currículo, fomos à Toritama, cobrimos a Feira da Beleza, tiramos fotos em Olinda, Igarassu e Itamaracá. Fizemos o Berro, que até hoje não foi impresso... Conhecemos pessoas legais, estranhas, engraçadas, famosas... Faltou energia no nosso culto ecumênico e lutamos para que nossas escovas permanecessem intactas mesmo embaixo de tanta chuva. Entre trancos e barrancos, apurações, entrevistas, decupagens, pilhas de livros e jornais pra ler, debates, reportagens, stand ups e resenhas, aqui, estamos nós. Talvez, não tenhamos mudado o mundo, mas tenho certeza que não somos mais os mesmos. Mudamos nós. E, é assim que o mundo começa a mudar...

Vamos aos agradecimentos...

Em primeiro lugar, agradecemos a Deus nossa luz e força. Nossa gratidão aos nosso paitrocínios e mãetrocínios, investidores dessa loucura, aventura e responsabilidade que é ser jornalista. Amamos vocês! Gostaria de agradecer, particularmente, ao meu pai que está juntinho de Deus e que foi o meu maior incentivador. Pai, te amo!

Não poderíamos esquecer dos professores. Ou melhor, dos nossos mestres, que nos ensinaram que a comunicação é uma arma poderosa e devemos usá-la com ética e responsabilidade. Alguns, além de professores, assumiram o papel de amigos. Obrigada por tudo!

Aos funcionários que tantas vezes nos ajudaram na produção das nossas reportagens e trabalhos acadêmicos. Ao pessoal do estúdio de TV e rádio, do laboratório de redação e da secretaria.

Aos nossos familiares e amigos, que não deixaram de torcer por nós e hoje celebram a nossa conquista.

Agradeço a todos vocês que feito eu acreditaram na loucura sã da coragem de ser jornalistas. O salário é pequeno, mas a recompensa é imensa. Todos vocês perfumam a minha vida. Deus os abençoe...

Chegamos ao dead line e concluo com um trecho escrito pela jornalista carioca Ana Jácomo. "Quero encontrar algo nesse mundo que me traga, a cada noite, a dádiva de um cansaço bom. Que me permita olhar para as horas vividas com uma clara convicção de que valeu a pena vivê-las. Que me conduza ao sono sereno que nasce depois dos desafios que o coração compra. Que me convide a desejar um novo dia, certa de que haverá um motivo para o qual levantar. E por sabê-lo, por lembrá-lo, eu possa experimentar a paz de adormecer sorrindo."

Caros Jornalistas, o eterno aprendizado é o próprio fim.

Parabéns a todos nós!!!

Renata Gabrielle - jornalista

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