22 de abr. de 2008

A arte de ser feliz


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meirelles

20 de abr. de 2008

Para se roubar um coração


Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa. Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.

Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente. Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.

Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.

Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago. ...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.

Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava. ... e é assim que se rouba um coração, fácil não?

Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Luís Fernando Veríssimo

18 de abr. de 2008

De mãe para mãe...


Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após noticiário na TV:

“Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da Febem, em São Paulo, para outra dependência da FEBEM no interior do Estado. Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.

Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação, contam com o apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de direitos humanos. Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro.

Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver se abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...

Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem.”

Esta carta tornou-se um manifesto e circula na internet através de e-mails.

“Circule este manifesto! Talvez a gente consiga acabar com esta inversão de valores que assola o Brasil!' Direitos humanos são para humanos direitos!”


10 de abr. de 2008

É preciso mudar...


A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil!

Nessa situação a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um ninho que esteja próximo a um paredão.Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno.

Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Espera nascer um novo bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas. Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas.

E só após cinco meses, "renascida", sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos. Muitas vezes, em nossas vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de renovação.


Devemos nos desprender das (más) lembranças, (maus) costumes, e, outras situações que nos causam dissabores, para que continuemos a voar. Um vôo de vitória. Somente quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Destrua, pois, o bico do ressentimento, arranque as unhas do medo, retire as penas das suas asas dos maus pensamentos e alce um lindo vôo para uma nova vida.Um vôo de vida nova e feliz.

(autor desconhecido)

23 de mar. de 2008

Feliz Aniversário, meu pai!


O dia está nublado e chuvoso. Assim também está meu coração. Hoje, meu pai estaria fazendo aniversário. Aliás, ele está. Embora, não esteja mais aqui na Terra, juntinho de mim. Sei que no céu a festa será dobrada. Além da Páscoa, Deus e os anjos têm mais um motivo para comemorar.

Eu, aqui, com a minha enormesaudade também comemoro por Deus ter me dado a graça de viver 12 anos da minha vida ao lado da pessoa que eu mais amei: meu pai.

Foram 12 anos rápidos, mas intensos. Intensos de carinho, respeito, amor, aprendizado... Doze anos de momentos tristes também, porém 12 mil vezes mais de momentos felizes e inesquecíveis.

Pai, sei que não estais aqui fisicamente, contudo morarás sempre no meu coração e nos meus pensamentos. Sei que me conduzes nos meus caminhos e me guardas de todos os perigos. Perdi o meu pai na Terra, mas ganhei um anjo e um intercessor no céu.

FELIZ ANIVERSÁRIO, Anjopai!

20 de mar. de 2008


"Não é que o mundo seja só ruim e triste.

É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais.

Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou

a menina abraça o seu grande amigo,

nenhum jornalista escreve a respeito.

Só os poetas o fazem."


Rita Apoena


"Borboleta parece flor

que o vento tirou para dançar.

Flor parece a gente

pois somos sementes do que ainda virá."


Fernando Anitelli

A Sinfonia da Vida


Eu não sei o que sei. A verdade é uma metáfora da vida: só tem sentido quando recolhidos os detalhes. Hoje é dia de recolher detalhes. Vida pequena, quase um respiro de tão miúda, mas bela. Mas não há o que se fazer, senão esperar pela serenidade.

Tenho vivido a convicção de que a sinfonia só é bela porque reúne os acordes dissonantes, maiores e menores. O resultado final é uma explosão de beleza. O todo preenchendo o espaço, cumprindo a sina de sacralizar o choro de quem chora, e o riso de quem ri. A sinfonia é triste e bela ao mesmo tempo. Não há como querer uma parte só.

Hoje, neste dia em que minha pauta tem acordes tristes, recorrome-me ao carinho de quem luta comigo, de quem me ama e me quer bem. Só assim é suportável viver esta passagem... Deus é o regente de tudo. Tenho certeza de que o movimento de seus braços ordenarão o despertar dos acordes serenos, momento em que prepararemos o sorriso e a alegria. A sinfonia da vida é linda, mas dói.

Maturidade é o fruto a ser recolhido, cada vez que na partitura da vida, há um interlúdio de tristeza.

Pe. Fábio de Melo, scj.

Fonte:
www.fabiodemelo.com.br/blog


Abaixo posto uma música composta pelo padre Fábio de Melo, que acho linda. Aliás, ele tem belas composições. O nome da canção é Marcas do Eterno.

Marcas do Eterno
Fábio de Melo

Antes de você entrar na minha vida
De se decidir por mim
Por minha história
Haverá de ter clareza de saber bem
Quem eu sou
Pra depois não me dizer
Ter se enganado

Eu não posso ser o que você quiser
Sou bem mais do que os seus olhos
Podem ver
Se quiser seguir comigo
Eu lhe estendo a mão
Mas não pode um só momento
Se esquecer

Sou consagrado ao meu Senhor
Solo sagrado eu sei que sou
Vida que o céu sacramentou
Marcas do eterno estão em mim

Antes do seu amor chegar
Um outro amor já me encontrou
E me envolveu com tanta luz
Que já não posso me esquecer

Se mesmo assim quiser ficar
Seja bem vindo ao meu lugar
A esta coração que resolveu
Plantar-se inteiro em Deus
E hoje não quer mais se aprisionar

Eu lhe peço que me ajude
A ser mais santo
Que por vezes me esqueça no meu canto
É que a minha santidade
Necessita solidão
Só assim minha presença
É mais saudável

Não me peça o que de mim
Pertence a Deus
Nem dê mais do que eu preciso receber
Ser amado em excesso
Faz tão mal quanto não ser
Eu lhe peço que me ajude a ser de Deus

O mais forte

Certo dia, a pedra disse:
"Eu sou forte!"
Ouvindo isso, o ferro disse:
"Eu sou mais forte que você! Quer ver?"
Então, os dois duelaram até que a pedra se tornasse pó.

O ferro, por sua vez, disse:
"Eu sou forte!"
Ouvindo isso, o fogo disse:
"Eu sou mais forte que você! Quer ver?"
Então os dois duelaram até que o ferro se derretesse.

O fogo, por sua vez, disse:
"Eu sou forte!"
Ouvindo isso, a água disse:
"Eu sou mais forte que você! Quer ver?"
Então, os dois duelaram até que o fogo se apagasse.

A água, por sua vez, disse:
"Eu sou forte!"
Ouvindo isso, a nuvem disse:
"Eu sou mais forte que você! Quer ver?"
Então, as duas duelaram até que a nuvem fez a água evaporar.

A nuvem, por sua vez, disse:
"Eu sou forte!"
Ouvindo isso, o vento disse:
"Eu sou mais forte que você! Quer ver?"
Então os dois duelaram até que o vento soprasse a nuvem e ela se desfizesse.

O vento, por sua vez, disse:
“Eu sou forte!"
Ouvindo isso, os montes disseram:
"Nós somos mais fortes que você! Quer ver?"
Então, os dois duelaram até que o vento ficasse preso dentre o círculo de montes.

Os montes, por sua vez, disseram:
"Nós somos fortes!"
Ouvindo isso, o homem disse:
"Eu sou mais forte que vocês! Querem ver?"
Então, o homem, dotado de grande inteligência, perfurou os montes, impedindo que eles prendessem o vento.

Acabando com o poder dos montes, o homem disse:
"Eu sou a criatura mais forte que existe!"
Até que veio a morte, e o homem que achava ser inteligente e forte suficiente, com um golpe apenas, acabou-se.

A morte ainda comemorava, quando, sem que ela esperasse, veio um HOMEM e, com apenas três dias de falecido, ressuscitou, vencendo a morte e todo poder foi Lhe dado no céu, na terra e debaixo da terra.

Vencendo a morte, ELE nos deu o direito a Vida Eterna, através do seu sangue, que liberta do pecado, cura as enfermidades e salva a alma do tormento eterno.

Esse homem é JESUS, o Filho de DEUS.

(Autor desconhecido)

12 de mar. de 2008

~ Soneto 17 ~


Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

William Shakespeare